Colonialismo e pós-modernismo

            A história que conhecemos é a dos vencedores. Ela é contada por aqueles que sobrevivem à batalha, que vencem para levarem sua versão e ideais adiante. A guerra não tem regras. A lógica da guerra não admite regras. Toda guerra é uma disputa de poder. O europeu sabia porque estava aqui, sabia o que queria encontrar. O europeu já estava em guerra.

            Os silvícolas não faziam idéia do que os encontrava. Mas em pouco tempo perceberam que teriam de lutar por suas vidas. O domínio envolvia espada e cruz. Quem não era eliminado pela espada, era subjugado pela cruz. Pobres selvagens. Não sabiam que guerra não tem hora. Nem para chegar, nem para acontecer. O europeu combatia à noite. O silvícola tinha muitas regras, regras que não cabiam em uma guerra.

            Em uma guerra, determinação e tecnologia fazem diferença. Uso a palavra determinação porque ganância e ambição me soam muito simplistas, como se houvesse certo e errado. O homo sapiens eliminou o homo neandertalensis, por que o europeu não poderia eliminar o indígena?

             Em termos de tecnologia, a forja do aço, o cavalo, as armas de fogo, ainda que simples, faziam uma diferença imensa. As doenças dos brancos eram uma arma tão ou mais mortal que suas espadas. O que nos faz humanos? Lamentar pelos indígenas? Discordo. Não tem nada mais humano do que seguir em direção aos seus objetivos. Os colonizadores sabiam disto.

             O modernismo nunca se concretizou para todos? Não posso afirmar com certeza, mas posso dizer que se concretizou para a maioria. Inclusive para os silvícolas. Estes sentiram mais concretamente os resultados do que se pode imaginar. Do ponto de vista antropológico, fizeram o papel de objeto. Não podemos nos esquecer também que grande parte dos colonizadores era a escória em seus países, dispostos a fazer o serviço sujo nas colônias.

            O europeu encontrou nas invasões a possibilidade de amplo financiamento para suas atividades, assim como os gregos o tiveram durante sua época mais próspera, a custo da liberdade de outros. Ter quem fizesse os trabalhos mais árduos sem praticamente nenhum custo é que permitiu aos europeus vivenciarem seu período mais fértil.

            A única coisa que percebo de diferente nos modelos de dominação mais recentes é que estes são mais inteligentes. Ao invés do conflito armado, as guerras são travadas no campo das idéias, cabendo às armas fornecerem suporte às canetas apenas nos casos em que as idéias fracassam.

            Como toda ação deste tipo parece carecer de uma justificativa aceitável, a sociedade da época engoliu a idéia da igreja que os povos pagãos eram ausentes de alma, e que só existiam dois caminhos, a extinção ou a conversão. Os sentimentos de amor e de culpa burgueses não permitiriam tais atrocidades, salvo uma forma de libertação com a qual pudessem se confortar. Quer um aval melhor para matar do que uma autorização escrita de um papa?

            No mundo, não há espaço para todos. Na lógica do capital, que estava em plena ascensão, o que cabia no mundo era o que podia por ele ser explorado. E isso segue até hoje desta forma. O alternativo, na cultura e na economia, está muito mais ligado à sobrevivência do que ao sucesso. E quando coloco o alternativo, digo o alternativo mesmo, não o pseudo-alternativo que ensaia uma crítica à mão que o alimenta, que se comove com a mesma facilidade com que se conforma.

            Então como ficamos nós? Nós somos descendentes de europeus, mas não somos europeus. Se baixarmos a cabeça, viramos vassalos. Se nossos antepassados vieram para cá porque não havia mais espaço para eles nas metrópoles européias, então por que aceitarmos as imposições das mesmas? Não sejamos mais vassalos. E não nos preocupemos com os modelos externos. Podemos escrever a nossa própria história. O que demanda desenvolvimento e força para mantermos tal posição, ações necessárias em um mundo em constante guerra.

            Em tempo: para aqueles que não gostaram da linguagem, precisam se desvencilhar das amarras da forma, pois estas são muito boas para ensaios plenamente científicos, mas nem sempre atendem à necessidade de comunicação de um texto para blog. Além disto, encarem como uma maneira de romper com essa formalidade modernista européia e um caminho para o novo. Já para aqueles que não gostaram do conteúdo, recomendo seriamente saírem de sua zona de conforto e encararem a vida.

Rafa

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